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2021, que seja leve!

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Tal como foi para muita gente, 2020 se mostrou um ano bom e um ano ruim para nós do GEPPS, mostrando que pontos de vista extremistas não se sustentam. Temos, no lugar, muitos matizes, que convém deixar fluir, cuidar, pensar. A quarentena nos obrigou a reinventar as formas de estarmos conectados e, no fim, acabamos por nos reunir muito mais vezes do que faríamos em condições normais. Estivemos mais próximos, acompanhando uns aos outros durante voltas e reviravoltas. Criamos e sustentamos o projeto Cartas da Pandemia , que acolheu em nosso site experiências poéticas, políticas e sensíveis inspiradas na reorganização da vida imposta pelo novo coronavírus. Tivemos a oportunidade de oferecer uma oficina para coletivos parceiros do PACTO/USP , em que objetos de uso comum renderam ótimas conversas e experimentos sobre uma possível prática de curadoria das nossas vidas como obras. Criamos nosso canal no YouTube e realizamos nossa primeira live com o museólogo mineiro André Leandro Silva. F

Criar, guardar, colecionar

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Aqui estão algumas questões inspiradas na oficina que iniciaremos daqui a pouco na USP. Ao longo de quatro encontros, proporemos exercícios poéticos e conversas a respeito da curadoria de objetos no contexto da vida de cada participante. Clique aqui para saber mais. Na Companhia dos Objetos #8 (2009), de Flávia Junqueira A história da humanidade pode ser contada por meio dos objetos que utilizamos, acumulamos, passamos de geração em geração, descartamos ou até mesmo sepultamos com nossos restos mortais. Por menos materialistas que pretendamos ser, temos com eles uma relação especial, que é exclusiva da nossa espécie. Uma relação que se manifesta de diferentes maneiras ao longo do tempo e dos povos, mas que mantém um princípio comum com a sobrevivência. São marcas da civilização: as ferramentas, as vestimentas, os adornos; os objetos sagrados e os profanos, os especiais e os banais. Artesanias que passam a existir por meio de um gesto transformador, o qual diferencia a matéria da sua

Oficina de curadoria de imagens

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Vamos oferecer uma oficina sobre curadoria a convite do PACTO (Laboratório de Estudos e Pesquisa Arte, Corpo e Terapia Ocupacional), como parte da realização do projeto de pesquisa "Deslocamentos Sensíveis". A partir de experimentos poéticos criados com nossos objetos de uso comum, queremos conversar sobre uma possível prática de curadoria das nossas vidas como obras. Vamos reunir imagens e objetos, juntar, separar, nomear obras e criações. Que histórias as imagens contam? Que histórias nos conta uma coleção? Que imagens guardamos no espaço íntimo e quais expomos no espaço público? A oficina é  direcionada aos coletivos parceiros do PACTO e  será realizada em 4 encontros virtuais, às segundas e quintas-feiras, sempre das 14h às 15h. Nos dias 5, 9, 12 e 16 de novembro. As inscrições são feitas pelo link: https://forms.gle/Mi9tS3Ca45oi9GYb7   É importante a presença nos quatro dias de encontro da oficina para nos mantermos aquecidos nessa construção coletiva.

[live] Utopias: como imaginar novos museus?

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O GEPPS recebe o museólogo mineiro André Leandro Silva para uma conversa aberta com o tema  Utopias: como imaginar novos museus? André é autor de uma pesquisa sobre o trabalho artístico “A nova crítica”, de Frederico Morais, que propôs algumas utopias para o museu de arte pós-moderno. Nesta conversa, queremos levantar pistas daquela produção para pensar: qual é o papel da utopia num museu? Como imaginar novos formatos e relações entre instituição, acervo e público? Como ativar a potência criativa e a crítica sensível dos museus a fim de rever suas formas de captura e ampliar acessos? Clique aqui, acesse o YouTube do GEPPS e participe! André Leandro Silva é bacharel em museologia pela Universidade Federal de Ouro Preto e Mestre em Estética e História da Arte pela Universidade de São Paulo. Atualmente trabalha no Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais. Foi eleito Conselheiro Municipal de Cultura em Belo Horizonte. Tem se dedicado a pensar a r

Agora o GEPPS está também no YouTube!

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Acompanhe lá todas as nossas transmissões ao vivo e conteúdos de audiovisual. Teremos uma live já na próxima semana (mais detalhes em breve).  Clique aqui e inscreva-se no canal!

Aberta a chamada para o 3º Laboratório de Emergência | COVID-19 | INFLEXÃO: ESTRATÉGIAS E NOVAS NARRATIVAS

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  Que tal se juntar a pessoas que acreditam na colaboração e na inovação para enfrentar os impactos da pandemia da COVID–19? Em tempos de instabilidade política e de vulnerabilidade socioambiental e cultural, que tal construir soluções para sua cidade, bairro ou comunidade? Nossos modos de vida se mostraram insustentáveis e se faz necessário tomar novos rumos. Que futuro será possível agora?   Essa chamada é dirigida a grupos ou indivíduos que já tenham um projeto colaborativo ou que querem criar iniciativas colaborativas, sobretudo para projetos partindo de, e voltadas para, periferias rurais e urbanas. As propostas serão desenvolvidas em um Laboratório de Emergência, um espaço virtual de desenvolvimento estratégico, onde seu projeto será conectado a diferentes recursos e saberes.       O Lab de Emergência é uma iniciativa da Silo - Arte e Latitude Rural, com o apoio do Instituto Ibirapitanga, em parceria com Amerek, Bela Baderna, Casa Criatura, Coletivo Etinerâncias, Datalabe, Fren

A leitura como desregramento de sentidos

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Há livros que me causam uma sensação de abstinência quando deixo de lê-los. Ainda é um mistério por que acontece com alguns e não com outros. Resta essa espécie de nostalgia de uma experiência de vida fictícia, uma vontade de voltar ao que nunca vivi de fato, mas que vivenciei de alguma maneira por intermédio de palavras e imagens.  Penso se ler poderia mesmo desestabilizar o continuum da vida comum e levar a uma “iluminação profana” – para usar a expressão de Walter Benjamin – por meio dessa embriaguez não alcoólica, quer dizer, sem o uso de outras drogas senão o próprio livro, com o delírio sugerido pelo cheiro de tinta em papel. Uma suspensão de certa ordem que nos abre para outra; pensamento que irrompe de um jogo e remonta toda uma cadeia de significações já formada e banalizada.  Abrir as páginas de um livro de prosa ficcional implica abrir a mim mesmo e me dispor a encarnar um personagem outro; a possessão da sua existência imaginária, dos seus sentimentos contornados pela sinta

Tomar distância para desconhecer melhor

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Carta ao pai  (2015), de Élida Tessler Para desgosto de meus pais, quando criança eu adorava desmontar objetos, sendo a caixa de ferramentas um dos meus brinquedos favoritos. Dos carrinhos de plástico aos rádios de pilha, do sifão do lavabo à base do liquidificador, tudo se reduzia às suas menores peças. Eu também misturava produtos de limpeza e às vezes ateava fogo numa coisa ou outra para ver o que acontecia. Tinha um profundo interesse pela estrutura desses objetos, aliado à curiosidade de saber como se transformariam quando submetidos a condições inusitadas. Hoje sei que fiz isso tudo movido também por outra vontade: a de estranhar aqueles objetos que me eram tão banais, dispostos no meu dia a dia como se estivessem ali desde sempre e para sempre. Desparafusando tampas, removendo fios, forçando lacres e depois remontando tudo numa nova composição disfuncional. Certa vez, logo que saímos de uma exposição de Mira Schendel no MAM-SP, pedi aos estudantes de graduação que eu acompanhava

Um memorial dedicado à história de cada vítima do coronavírus no Brasil

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A memória das pessoas tende a se apagar entre os números da tragédia, as políticas públicas, as linhas da história. O projeto Inumeráveis , realizado pelo artista Edson Pavoni em colaboração com Rogério Oliveira, Rogério Zé, Alana Rizzo, Guilherme Bullejos, Gabriela Veiga, Giovana Madalosso, Rayane Urani e Jonathan Querubina, além de jornalistas e voluntários, mantém um memorial online para honrar cada uma das vítimas da doença no Brasil. Se você perdeu um familiar ou pessoa próxima, pode escrever uma história ou responder o questionário para que um jornalista escreva a homenagem. Conheça os detalhes no site www.inumeraveis.com.br

Ver apesar de tudo

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O seguinte artigo de Eduardo A. A. Almeida foi publicado originalmente no jornal Correio Popular. Na sequência, Gisele D. Asanuma lê um capítulo do livro "Assim foi Auschwitz". Já li uma porção de coisas sobre o holocausto judeu na 2ª Guerra Mundial, ou Shoah, em hebraico. Não porque sou aficionado pelo assunto, mas porque qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade e interesse histórico naturalmente se depara com livros, filmes, notícias, obras de arte, exposições, que de alguma maneira mantêm vivo aquele acontecimento. Há pouco li Cascas , misto de relato poético e ensaio produzido pelo filósofo e historiador da arte francês Georges Didi-Huberman após sua visita aos campos de Birkenau, hoje parte do museu de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, onde colheu fotografias, impressões – de início intuitivas – e cascas de bétulas. Essas árvores são as poucas testemunhas remanescentes do genocídio perpetrado pelos nazistas naquele empreendimento sociopolítico que perseguiu jude