Defesa pública da tese de doutorado "Criação à deriva"


É com alegria que a Isabela Umbuzeiro Valent convida todxs para a defesa pública de sua tese de doutorado Criação à deriva: políticas do cuidado em coletivos incomuns, desenvolvida sob orientação da professora Dra. Eliane Dias de Castro.

A pesquisa foi desenvolvida no Programa Interunidades de Pós-graduação em Estética e História da Arte da Universidade de São Paulo (PGEHA/USP) e teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Quando?
Sexta-feira, 20/03/20, às 14h

Onde?
Auditório do Espaço das Artes da Cidade Universitária
Rua da Praça do Relógio, 160, USP Butantã.
Acompanhe os detalhes no evento do Facebook.

Resumo da tese: esta pesquisa discute os desafios para instauração dos direitos sociais no Brasil após a Constituição de 1988, refletindo sobre as formas como se deram as políticas culturais e de saúde no período, os efeitos do neoliberalismo nos processos de subjetivação e a produção do comum. Como contraponto a esse processo, foram acompanhadas experiências coletivas de criação que acontecem na cidade de São Paulo desde a década de 1990 e que envolvem práticas artísticas, culturais e de cuidado. Tais práticas instauram comunidades heterogêneas em espaços públicos ou abertos da cidade, tecendo uma rede não institucionalizada que produz saúde mental. A pesquisa-intervenção efetivou uma proposta de produção compartilhada do conhecimento, que se deu em um processo de criação audiovisual colaborativa. Por meio do olhar e das sensações de seus participantes, foram realizadas filmagens e entrevistas, documentando as experiências de sete Coletivos dessa rede: Cia. Teatral Ueinzz; Coral Cênico Cidadãos Cantantes, Oficina de Dança e Expressão Corporal (Odec); Coletivo Preguiça; Ponto de Cultura É de Lei; Ponto Benedito Economia Solidária e Cultura; e Clínica Pública de Psicanálise; que derivaram no documentário Incomuns e em um acervo digital contendo filmes sobre cada Coletivo e todas as entrevistas realizadas. A documentação revela que a ação dos Coletivos tece redes de apoio que se organizam de forma autônoma para além das políticas institucionais e faz emergir estratégias de cuidado para lidar com a diversidade cultural e com aquilo que é considerado incomum. O processo de produção compartilhada do conhecimento realizado pela pesquisa propiciou conexões entre a rede e enriqueceu suas possibilidades de diálogo e cooperação. A sistematização e análise sobre os modos de criação, sustentação e agenciamento operados pelos Coletivos forneceram aportes para a reflexão sobre quais tipos de políticas poderiam apoiar práticas coletivas autônomas transversais implicadas no comum, propiciando a existência de outras culturas do cuidado.

Palavras-chave: Arte-em-comum. Diversidade cultural. Interface saúde e cultura. Documentação audiovisual. Terapia ocupacional/tendências. Políticas públicas. Pesquisa-ação colaborativa.

Banca examinadora:
Dr. Wensceslao de Oliveira Junior (Faculdade de Educação - Unicamp)
Dr. Henrique Parra (Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - UNIFESP)
Dra. Adriana Marcondes (Instituto de Psicologia - USP)
Dr. Arthur Lara (PGEHA - USP)
Dr. José Ribeiro (Laboratório de Antropologia Visual /Media e mediações culturais da Universidade Aberta de Lisboa)