Quem somos

“Usei a imagem da jangada para evocar o que está em jogo nessa tentativa, nem que seja para dar a ver que ela deve evitar ser sobrecarregada, sob pena de afundar ou de virar, caso a jangada esteja mal carregada, a carga mal distribuída. [...] Uma jangada, sabem como é feita: há troncos de madeira ligados entre si de maneira bastante frouxa, de modo que quando se abatem as montanhas de água, a água passa através dos troncos afastados. Dito de outro modo: não retemos as questões. Nossa liberdade relativa vem dessa estrutura rudimentar, e os que a conceberam assim – quero dizer, a jangada – fizeram o melhor que puderam, mesmo que não estivessem em condição de construir uma embarcação. Quando as questões se abatem, não cerramos fileiras – não juntamos os troncos – para constituir uma plataforma concertada. Justo o contrário. Só mantemos do projeto aquilo que nos liga. Vocês veem a importância primordial dos liames e dos modos de amarração e, da distância mesma que os troncos podem ter entre eles. É preciso que o liame seja suficientemente frouxo e que ele não se solte.”

F. Deligny. Jangada. In: Cadernos de Subjetividade, ano 10, n. 15, 2013, p. 90.


Breve histórico do Grupo de Experiências Poéticas e Políticas do Sensível

O Grupo de Estudos das Poéticas e Políticas do Sensível (GEPPS) surgiu em 2010, quando pesquisadores ligados ao Programa Interunidades de Pós-Graduação em Estética e História da Arte da Universidade de São Paulo (PGEHA/USP) passaram a se encontrar com intuito de desenvolver, conjuntamente, seus mestrados e doutorados.
De início, os encontros tinham objetivos múltiplos. Funcionavam como: espaço de troca de experiências dos processos de pesquisa; discussões sobre questões pessoais, acadêmicas e institucionais que atravessam o ato de pesquisar; e estudos de materiais bibliográficos que operavam como plataforma conceitual comum às pesquisas em andamento.
Numa composição heterogênea, artistas, educadores, produtores culturais, escritores, críticos, professores, terapeutas ocupacionais e acompanhantes terapêuticos compartilham reflexões transversais, que instauram novas composições e trocas intensivas sobre a construção dos projetos de pesquisa, tanto teóricos quanto poéticos. A produção comum convoca novas ações, fortalece o entendimento da potência coletiva, a circulação de saberes, o diálogo criativo das pesquisas e a construção crítica do pensamento.
A partir dessa convivência, de um subsequente acúmulo reflexivo e de uma vontade de dialogar com outros interessados, iniciamos: a organização de seminários de pesquisa; atividades conjuntas e transdisciplinares em aulas para o curso de graduação em Terapia Ocupacional da USP; a composição do corpo editorial da Seção de Criação da Revista Interface: Comunicação, Saúde, Educação, publicação interdisciplinar da UNESP de Botucatu; a participação em residência artística no Ponto de Cultura É de Lei; intervenções artísticas em diferentes grupos da cidade de São Paulo; ações de mediação e arte-educação; publicações dentro e fora da academia; entre muitos outros desejos de pensar e trabalhar juntos.
Em 2014, demos início à organização do I Seminário Internacional de Pesquisa do GEPPS, realizado em agosto do ano seguinte no Museu de Arte Contemporânea da USP, momento no qual ampliamos o diálogo com pesquisadores, artistas, terapeutas, críticos, curadores, psiquiatras, articuladores culturais e filósofos do país e do exterior. Foi uma ocasião propícia para discutir, no museu, temas como: Arte contemporânea e proposições artístico-terapêuticas, Construção de uma psiquiatria poética, Práticas artísticas comunitárias, A dança no sistema carcerário, Cinema na cidade do manicômio, Arte e comunidade, entre outros.
Todo o processo de pensar um evento desse porte mobilizou a investigação de desejos e questões comuns ao grupo, além de indicar novos caminhos de trabalho que permitissem dar continuidade às pesquisas conjuntas.

Pesquisa

Os temas desenvolvidos pelo grupo estão ligados a:
– Experiências na interface da arte e da produção da saúde
– Discussões sobre poéticas de artistas
– Políticas públicas e produção cultural
– Teoria e crítica de arte
– Processos escriturais
– Ética, estética e política no contemporâneo

Algumas questões nos mobilizam a continuar estudando, discutindo, produzindo e, sempre que possível, levando a público:
–Poéticas e políticas do sensível
– Aspectos da experiência no contemporâneo
– Produção de subjetividade
– Linguagens e poéticas artísticas singulares
– Lugar do comum
– A comunidade porvir
– Interfaces da arte e da clínica
– Memórias, histórias, narrativas
– Formas de emancipação possíveis


O coletivo e as suas singularidades


Eduardo A. A. Almeida é escritor. Doutor e Mestre em Estética e História da Arte (PGEHA/USP). Pesquisador de poéticas contemporâneas, com ênfase nas relações entre estética e política. Curador independente. Colunista do caderno de cultura do jornal Correio Popular. Professor de teoria, crítica e história da arte. Membro do coletivo de criação literária Discórdia. Integrante da Editoria de Criação da revista Interface: Comunicação, Saúde, Educação (UNESP). Autor dos livros: Por que a Lua brilha (Cultura e Barbárie, 2017) e Testemunho Ocular (Lamparina Luminosa, 2018).
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9425056077108659
Site: www.artefazparte.com
Email: eduardo.almeida@gepps.com.br

Gisele Dozono Asanuma é doutoranda pelo Programa Interunidades de Pós-Graduação em Estética e História da Arte da Universidade de São Paulo (PGEHA/USP); Mestre em Psicologia Clínica pelo núcleo de subjetividade da Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP). Possui graduação em Terapia Ocupacional pela Universidade de São Paulo (USP) e formação em Artes Visuais pela Escola Panamericana de Artes. Dedica-se à prática clínica em terapia ocupacional, proposições artísticas relacionadas a livro de artista, memórias e correspondências poéticas, xilogravura, fotografia e derivas artísticas pela cidade de São Paulo. Tem experiência em equipes de arte-educação e residência artística. Realiza pesquisa que discute estética, política e crítica na arte contemporânea e investiga "sutis invenções curatoriais". Desenvolve trabalhos poéticos na Interface Arte e Saúde, sempre tendo como tema central a noção de experiência no contemporâneo.

Isabela Umbuzeiro Valent é terapeuta ocupacional graduada pela Universidade de São Paulo (2007). Mestre e Doutoranda em Estética e História da Arte pelo Programa Interunidades em Estética e História da Arte. Dedica-se à criação de estratégias de participação cultural e realizações artísticas envolvendo comunidades heterogêneas, em práticas artísticas colaborativas que contam com a participação de pessoas nas mais diversas condições, incluindo aquelas que vivem situações de vulnerabilidade ligadas à diferentes problemáticas: deficiências, sofrimento psíquico e vulnerabilidade social, dentre outras. Desde 2011 desenvolve projetos junto ao Centro de Convivência É de Lei, onde é coordenadora do Núcleo de Cultura. É Pesquisadora do Laboratório de Estudos e Pesquisa Arte, Corpo e Terapia Ocupacional (PACTO) da FMUSP. É membro do Grupo de Trabalho Arte, Saúde e Cultura do município de São Paulo e participa das redes de Pontos de Cultura de São Paulo. Seu projeto poético consiste na invenção de dispositivos de articulação que possibilitem a criação comum a partir de práticas artísticas contemporâneas, envolvendo fotografia, audiovisual, dança e intervenções urbanas. Sua zona de atuação transita pela pesquisa acadêmica, criação artística, atuação clínica em terapia ocupacional e acompanhamento terapêutico e gestão de projetos culturais, criando territórios pautados por políticas de deslocamento e encontros sensíveis improváveis, sempre a partir da prática do convívio na alteridade em espaços públicos.

Mariana Louver Mendes possui graduação em Terapia Ocupacional pela Universidade de São Paulo (2010). Mestranda do Programa Interunidades em Estética e História da Arte (PGEHA/USP). Terapeuta Ocupacional no CAPS Infantil Brasilândia, acompanhante terapêutica, colaboradora no Projeto Encontrar-te e co-coordenadora da Morada das Percepções (ateliê compartilhado e espaço de convivência e cuidado). Atua na área da saúde mental, álcool e outras drogas, e em projetos na interface das artes e da cultura com o campo social e da saúde. Tem experiência na área de Terapia Ocupacional com ênfase nos temas: arte, corpo e terapia ocupacional; acompanhamento terapêutico; saúde mental, álcool e outras drogas; população em situação de vulnerabilidade social.